segunda-feira, 15 de abril de 2013

Voltando ao Ubuntu

Depois de 10 outras distros, eis que volto ao Ubuntu



Pois é. Rodei bastante, mas acabei reinstalando o Ubuntu aqui. O Ubuntu mesmo, que já é Raring Ringtail beta 2, não algum de seus derivados (que também testei). Gostaria de fazer alguns comentários, para que ouçam minha impressões meus seis fieis leitores. Vou dizer por que voltei, analisando rapidamente as demais distros que usei. Espero ser esculachado nos comentários, se algum houver. Vamos lá.

  • Lubuntu e Ubuntu Studio: são Ubuntus oficiais, e você pode configurá-los como quiser, ou transformar o seu Ubuntu em um deles. O Ubuntu Studio, porém, tem kernel otimizado para multimídia, e o Lubuntu é leve e rápido, bom para computador mais antigo. Se você não for músico profissional nem tiver um computador velho, essas distros podem ser deixadas de lado. Fique com o Ubuntu mesmo.
  • Bodhi: tenho o Bodhi instalado em um notebook mais velho aqui, e não pretendo substituí-lo. É baseado no Ubuntu, o que é uma grande vantagem. Só não aderi definitivamente a ele em meu notebook principal porque, se você precisa de dual boot, ele não mostra claramente como acessar o outro OS. É por causa do ambiente Enlightenment, que é bonito, altamente configurável, não é assim essas coisas como dizem por aí.
  • Mint Debian Edition: aderi ao Mint há mais de dois anos atrás, quando ele ainda não era o número 1 no Distrowatch. Tenho um notebook com dual boot aqui com ele, e não pretendo substituí-lo. Funciona muito bem. Menos essa Debian Edition, que apresentou alguns pequeninos problemas na inicialização e não rodou o Firefox depois de instalada. Não descobri o problema. Possivelmente é coisa do Cinnamon, mas eu não quis perder tempo com isso.
  • Debian: comecei minha vida de linuxeiro com o bom e velho Kurumim, passei pelo Mandrake e acabei ficando, por bons anos, com o Debian. Apesar de usar quase sempre pacotes mais velhos, ele fica como minha segunda distro preferida. Testei o Debian Wheezy RC1, e foi tudo bem. Mas quem usou o Debian uma vez na vida sabe que vai encontrar alguns probleminhas se você for fuçador, além de exigir mais domínio da linha de comando. Não vi vantagens em voltar a meu passado, e dei adeus, mais uma vez, ao Debian.
  • Arch: para quem quer aprender como funciona o Linux, o Arch é excelente. Depois do longo processo de instalação, o Arch funcionou aqui, mas exigiu sempre que eu fosse a fóruns e fizesse perguntas sobre como instalar isso e aquilo, o tempo todo. Isso cansa, e você fica com a sensação que alguma coisa vai dar errado. Deixei para uma segunda tentativa, em um futuro incerto.
  • Damn Small e Puppy: essas eu guardo no meu coração, por serem as mais interessantes distros que usei. Não precisei instalar nenhuma das duas: põe o CD lá e carregue-os inteiramente na memória. Nunca vi nada funcionar tão rápido como elas! Isso conquista a gente, mas, parando um pouco para pensar, posso instalar qualquer distro numa pendrive e carregá-la por aí. Por que esse minimalismo absurdo? Essas distros são boas para computadores muito, mas muito velhos mesmo.
  • PCLinuxOS: ótima, funcionou bem, mas não me mostrou vantagem alguma. Nem sei por que está tão bem colocado no Distrowatch. Acabei desistindo porque não vi uma razão definitiva para adesão, algo a mais que as outras distros não me dariam, ou algo que não faz assim tanta diferença na prática.
  • Fedora: a verdade é que, nas antigas, usei Fedora. Antes dela, usei Red Hat. Ótima distro, mas eu prefiro os repositórios de distros baseadas em Debian. Prefiro DEB a RPM, e só por isso deixei a excelente Fedora de lado. Parece que os repositórios baseados em Debian têm alguns programinhas que eu gosto, e que não encontro em nenhum outro. Nada que eu não possa superar com uma instalação a partir do código fonte, ou de um binário "genérico". Mas a facilidade de uso dos repositórios do Ubuntu me fizeram desistir da Fedora. Uma pena!
  • Fuduntu: recomendadíssima distro! Usei bastante por uma semana, e gostei muito. Pensei que ia ficar com ela para avida toda, pois é rolling release. Usa repositórios próprios e também RPMs. Muito estável, mas por duas vezes não inicializou corretamente... Isso bastou para eu deixá-la de lado. Uma pena. Pretendo voltar a ela no futuro, e acabar de vez com meu preconceito com pacotes RPM.

É estranho, mas depois de mais de 10 anos com usuário de Linux, depois de muito estudo e muita coisa digitada em linha de comando, muita instalação feita na raça, eu volte para uma distro feita para noobs. Vai ver é porque não sou profissional do ramo, nem sou radical religioso em relação a software livre. Talvez eu tenha me cansado de aprender, ou sinta que o que sei é mais do que suficiente. Não sou anti-Windows (que uso e considero um excelente SO, mesmo com seus problemas de vírus, tela azul e tudo o mais), nem anticapitalista, ou coisa parecida. Por esses motivos, não me importo com propaganda na Central de Programas do Ubuntu nem com drivers proprietários instalados aqui. Incomoda eu ser vigiado, mas isso pode ser desabilitado. Uso o wine para colocar no Ubuntu programas que só rodam no Windows, programas pelos quais paguei, e não são livres.

Se você está confortável com a vida que leva em sua distro, fique com ela. se não, o Ubuntu pode ser uma opção interessante. Isso se você não se importa com a ideologia comercial envolvendo o sistema, pois a Canonical, a empresa por trás do Ubuntu, visa lucro. Isso incomoda, eu sei, e incomoda mesmo. Mas, entre alternativas, entre o que preciso e gosto de fazer, engulo esses incômodos ideológicos para ter um sistema atual e que funciona que é uma beleza aqui na minha maquina.

Se um dia o Ubuntu for para o beleléu, eu troco. Mas não agora.

***

P.S. 1: antes que perguntem, eu digo: eu e minha esposa temos juntos 7 notebooks. Um delicioso exagero...
P.S. 2: perdi muito tempo testando tudo isso. Poderia estar ouvindo Human League.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Traduzindo Perl

Aprenda a programar em Perl com um excelente tutorial

 

O site Perl Maven agora conta com uma série de traduções, incluindo uma portuguesa, de seu excelente tutorial, feitas por mim e principalmente por Felipe Leprevost. Bastou que o Felipe começasse a traduzir alguns artiguinhos lá para o português, em uma ação pioneira, para aparecerem mais pessoas, de vários países (até do Nepal), interessadas em traduzir para as respectivas línguas.

Isso é muito bom para a comunidade, pois a linguagem Perl, assim como a Lisp -- que tiveram seus melhores dias há pelo menos uns 15 anos atrás -- ainda são linguagens extremamente relevantes no mundo na programação. Naquela época, pensar em inteligência artificial era pensar Lisp, e pensar a web era pensar Perl. Hoje as coisas estão mais dispersas, mas Perl é ainda a melhor linguagem para lidar com texto e com bioinformática.

Os desafio de traduzir informática são muito interessantes. Há palavras técnicas em inglês, criadas unicamente para dar conta da linguagem Perl, que não possuem equivalentes sequer próximos em português. Como a palavra "bareword", que traduzi como "palavra solta", mas poderia muito bem ir como "palavra nua", em uma tradução mais literal.

Não só palavras técnicas, mas também expressões inteiras e as famosas mensagens de erro, que são padronizadas e aparecem sempre do mesmo jeito, como se fossem uma imensa palavra. Optei por deixá-las como são, acompanhadas por uma tradução entre parênteses logo abaixo, para que os leitores pudessem entender o sentido da mensagem, sem perder de vista como elas ocorrem na prática.

Há uma lista de discussão para os tradutores, e tenho visto as mais diversas opiniões. Dê um pulo lá no site e veja as traduções. O que você sugeriria?

terça-feira, 26 de março de 2013

Vivendo sem matemática

Viver sem matemática? Muita gente vive, pelo menos com muito menos do que você imagina.


Não se trata apenas de constatar a óbvia realidade da má educação de boa parte do povo, mesmo aqueles que frequentaram a escola, e por muitos anos. Trata-se de pensar como viver sem matemática, e quais as estratégias que podemos usar para nos desviar do uso da matemática, e pôr em questão, senão criticar de forma contundente, a carolice de boa parte dos educadores e matemáticos e seus discursos irrefletidos sobre a necessidade do aprendizado da matemática.

Criamos um blog para isso, o vivendosemmatematica.blogspot.com.br, que provavelmente, como este, terá baixíssimo tráfego. Eu diria até que será mais uma das minhas excêntricas e irrelevantes ações, em um mondo em que melhor é se entorpecer de informação, evitando a reflexão profunda sobre seja lá o que for.

Você já pensou que sabe menos matemática do que deveria, e mesmo assim isso é muito para os dias de hoje? Que você consegue se virar com apenas adição e subtração, quando muito? Como você faz para se livrar da matemática? Acesse o nosso blog, vivendosemmatematica.blogspot.com.br e participe da discussão.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Quatro tweets de Umberto Eco

Umberto Eco no Twitter?

Achei o Umberto Eco no Twitter. Em 31 de dezembro do ano passado, ele escreveu 4 tweets acerca do que é uma interpretação, do ponto de vista da semiótica. Compilei e editei:
Si può interpretare come se fosse un messaggio anche una sequenza di elementi che nessuno ha prodotto intenzionalmente per comunicare. La condizione minima di una interpretazione è che si possa sostituire un segno con altri segni (sia che essi appartengano allo stesso o a un altro sistema semiotico) i quali - sotto un certo punto di vista - possano essere giudicati equivalenti.
Não sabe italiano? Não se preocupe: leia com atenção, e talvez você consiga pegar o sentido geral.

***

Não sabe italiano nem entendeu o sentido geral? Talvez em esperanto, traduzido por Ŭel Roŝa
Oni povas konsenti kvazaŭ vera mesaĝo eĉ vicon da elementoj formulitaj sen iu ajn celo al komunikado. La minimuma kondiĉo de io interpretebla kuŝas en tio ke oni povu anstataŭi unu signon por aliaj (sengrave ke ili apartenas al la sama aŭ alia semiotika sistemo) kaj kiuj, el certa starpunkto, povas esti konsiderataj ekvivalentaj.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Intolerância religiosa - sugestão de um experimento prático

E você acha que no Brasil existe tolerância religiosa?

É parte do discurso da maioria das religiões a pregação da tolerância, decerto mais por questões políticas do que morais, mas mantenho a hipótese contrária: cristãos - católicos, evangélicos, etc. - são intolerantes com crenças diferentes das suas. Um experimento prático, que passarei a descrever, pode provar isso.

Costumo viajar bastante de carro por pelo menos quatro regiões do Brasil. Em todas elas, vejo placas nas estradas, afixadas em árvores ou postes, com dizeres do tipo "Jesus retornará", "Deus te ama", ou com citações bíblicas as mais diversas. É notável também que esse proselitismo seja cristão e, consequentemente, monoteísta. Daí surgiu a ideia central do meu experimento: colocar placas do tipo "Deus não existe" em outros postes ou árvores pelas estradas, e verificar quanto tempo cada uma resiste até que alguém venha arrancá-la.

Se você gostou da ideia e deseja vê-la realizada, faça o seguinte:
  • mande pintar uma série de placas com os dizeres "Deus não existe", ou pinte-as você mesmo, para reduzir custos;
  • determine os locais de fixação;
  • fixe as placas e anote o dia e a hora em que foram afixadas;
  • passe discreta e diariamente pelos locais das placas, verificando quanto tempo levou para que fossem destruídas, pichadas ou arrancadas.
Será preciso tomar uma śerie de medidas de segurança também, para escapar da inevitável violência que certamente será direcionada para quem for visto afixando as placas:
  • afixe as placas à noite;
  • vá com um carro velho, se possível com as placas cobertas;
  • escolha lugares afastados de casa, sem conhecidos por perto;
  • não leve crianças;
  • tome cuidado com a polícia.
Esses cuidados são básicos e autoevidentes. Em casos de medo extremo, ir de boné e óculos escuros, realizando o trabalho rapidamente

É interessante também, caso você veja alguém destruindo ou arrancando a placa, ir elogiar, criar um clima de amizade e perguntar para o vândalo qual sua filiação religiosa. Estatisticamente, há 90% de chances que seja cristão, segundo o censo de 2010.

***

P.S. (16/12/2012): Um aluno meu, católico, confessou que teria medo de realizar o experimento. Segundo ele, é óbvio que ele iria apanhar se fosse pego afixando as placas. Também acredito que seja óbvio, mas gostaria de filmar isso.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930)

Uma rara entrevista com o criador de Sherlock Holmes


Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930) foi um homem notável. Era médico e escritor, alcançando fama mundial com seu personagem Sherlock Holmes, uma das figuras mais conhecidas na cultura popular de todos os tempos. Filmes, refilmagens e diversas séries de televisão tornaram Sherlock Holmes a epítome da racionalidade humana, paladino da ciência empírica e experimental.

O gênero de histórias de detetives, em geral envolvendo assassinatos e outros crimes menores, consolidou-se à época de Conan Doyle, e desde então vem sendo tratado como o mais cerebral dos gêneros literários, um quebra-cabeças em forma escrita, quase uma matemática engastada no seio da literatura. Pensando a partir desses fenômenos podemos ampliar nossas concepções sobre ciência e matemática, mas isso não é o essencial no momento. Falemos da entrevista.

Nenhuma boa alma ainda se decidiu a legendar o vídeo acima, raro e cativante, com o pai do Sherlock. Nela, além de comentários sobre seus escritos, Conan Doyle fala de sua pesquisa no ramo do espiritismo, sobre seu interesse acerca da comunicação entre vivos e "mortos". Naquela época, e ainda hoje, pesquisas sobre vida após a morte, reencarnação, mediunidade vem sendo encetadas de maneira séria, sem nenhum achado que realmente convença alguém sobre a existência de espíritos, vida após a mortes, etc. Ainda assim, quase todo mundo acredita em algum desses elementos. Lembremos que a crença em deus, ou deuses, entra no mesmo filão de concepções religiosas que nunca tiveram comprovação empírica.

E isso é o que mais me intriga. A existência de muita gente inteligente, e até genial, como Conan Doyle, acreditando nessas coisas, me faz pensar que ciência e religião são efetivamente divorciadas uma da outra. Em nível mais pessoal, emoções e vivências religiosas nunca são realmente analisadas pela razão, que facilmente as destrói todas, ainda que exista muita falação em contrário. Apesar da militância de ateístas, que mostrando, por exemplo, como a Bíblia é absurdamente contraditória, pouquíssima gente chega a levar suas crenças a um grau de análise sincera, aceitando que muito do que acreditamos não tem base empírica. Seria muito destrutivo, em termos emocionais, muito desgastante. Mais fácil crer cegamente.

Mas voltemos a Sir Arthur Conan Doyle. Pouca gente sabe que ele lutou na famigerada Guerra dos Bôeres, na África do Sul, atuando como cirurgião na frente de batalha, pelo que recebeu prêmios pela coragem e determinação no atendimento de feridos. Voltou à Inglaterra, escreveu um livro sobre o assunto, e muitos outros sobre uma pancada de assuntos. Morreu em 7 de julho de 1930. Suas últimas palavras foram dirigidas a sua segunda esposa (a primeira morreu de tuberculose): "Você é maravilhosa". Mulheres, morram de inveja!

***

P.S.: não nos esqueçamos do grande Edgar Allan Poe (1809-1849) e seu detetive Dupin, precursor do Sherlock. Poe é um escritor muito superior a Doyle. Talvez não tão cativante (teve uma vida trágica), mas sem duvida muito superior.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O primeiro filme colorido da história

Para amantes do cinema somente: assista ao primeiro filme colorido da história



O National Media Museum (NMM), de Londres, revelou ao mundo uma descoberta surpreendente: o primeiro filme a cores da história do cinema.

O filme não era colorido, em verdade, mas a técnica de projeção, inteligente e engenhosa, fazia com que o filme preto e branco se tornasse colorido, o que possibilitou a criação daquele que é conhecido como o primeiro filme a cores do mundo.

Amantes da história do cinema agora podem se deleitar com mais essa descoberta. Eu, particularmente, gostei da imagem estática do aquaário, e principalmente da menina no balanço, que aparece por volta dos 4 minutos no vídeo do YouTube. Seu nome é Agnes May Turner. Fiquei comovido quando fiz as contas de quanto tempo ela viveu...